VÍDEO: Na audiência de custódia, o ex-governador José Melo alegou ter muita carapanã, e que não dormia a 5 dias

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Veja o vídeo com trecho da audiência de custódia do ex-governador:

MANAUS – Durante a audiência de custódia em que recebeu do juiz federal Ricardo Sales o direito de deixar o presídio, no dia 26 de dezembro de 2017, o ex-governador José Melo, preso na operação Estado de Emergência, afirmou que estava há cinco noites sem dormir e que não conseguia se alimentar.

“Esse episódio tem me abalado muito. Não tenho conseguido. Não é que a minha alimentação não esteja lá (no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 – CDPM2). Todo dia eu tenho almoço, café da manhã. É que eu não consigo. Fui tentar e vomitei tudo”, declarou Melo em trecho do vídeo da audiência ao qual o ATUAL teve acesso.

Quando questionado se estava se alimentando bem, Melo chega a se emocionar quando responde que não. Com o ex-governador aparentando nervosismo e abatimento, o juiz conclui durante o depoimento que o político “está aparentemente depressivo”.

Durante os 15 minutos da audiência em que a reportagem teve acesso, Ricardo Sales mostrava-se preocupado e solidário com o relato de Melo sobre as condições do presídio e sobre o estado de saúde dele e do ex-secretário de saúde Wilson Alecrim, também preso.

“Tem algum serviço médico (no CDPM2) que dê atenção… Porque o senhor, aparentemente, até pela sua idade, a gente percebe que o senhor está muito depressivo. Dá para ver pelo seu semblante. O outro lá, o doutor Alecrim, o senhor me falou há pouco que ele estava até expelindo sangue. Não tem nenhum corpo médico que dê assistência para os senhores, não?”, indagou o juiz federal.

Melo admite que era questionado por diretores do presídio, duas vezes por dia, se estava bem e se precisava de algo. E que sempre dizia que estava bem.

“Sinceramente não me apareceu (atendimento médico). Embora eu tenha dito a todos eles que eu estava bem. Toda vez que me perguntavam, de manhã e à noite, vinha, acho que era o diretor e o subdiretor, me perguntava: ‘o senhor está bem, está precisando de alguma coisa, de saúde?’. Eu dizia que estava, porque estava, né?”, disse Melo, ao passo em que o juiz comenta: “Eles não vão mudar nada, né?”.

Na ocasião, o ex-governador e a defesa dele reclamaram da qualidade do colchão no presídio e do excesso de mosquito na cela. Para Melo, esse era outro fator que poderia está prejudicando o sono dele na cadeia.

“É muito carapanã. Todo dia tem que colocar muito Detefon para poder espantar. Não sei se por isso ou a situação emocional que me encontro, eu não consiga dormir à noite. Estou há cinco noites sem dormir. Aí durante o dia eu durmo um pouco. Acho que é por causa do Detefon que fica ardendo meus olhos. Não sei se é isso ou é minha situação emocional, que esse episódio me abalou demais”, disse Melo.

Naquela noite, após a audiência, Ricardo Sales anulou decisão de colega que havia prorrogado a prisão temporária do ex-governador e converteu a prisão do político em domiciliar. Melo havia sido preso no dia 21 de dezembro. Como a decisão do juiz federal ocorreu na noite do dia 26, ele só pode sair do CDPM2 na manhã do dia 27.

Quatro dias depois de deixar o presídio, Melo voltou para a ser preso, no dia 31 de dezembro, desta vez por decisão da juíza Jaixa Fraxe. Na ocasião, o ex-governador e a ex-primeira-dama Edilene Gomes de Oliveira tiveram as prisões preventivas decretadas.

O MPF (Ministério Público Federal) acusa o casal de se beneficiar dos recursos desviados do setor da saúde, descoberto pela operação Maus Caminhos, em setembro de 2016. A investigação conta com a participação da PF (Polícia Federal) e da CGU (Controladoria Geral da União).

A defesa de Melo e Edilene nega as acusações e tenta tirar os clientes do presídio por meio de recurso no TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), em Brasília.

Fonte: ATUAL / Lúcio Pinheiro

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