Morcegos em Barcelos voltam a atacar em todo o AM

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Foto: Divulgação

Aproximadamente 270 das 682 pessoas que moram nas nove comunidades do rio Unini, em Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus), onde moravam os dois irmãos que tiveram morte confirmada por raiva humana, informaram que foram agredidas por morcegos nos últimos 12 meses, o que corresponde a 39% da população local.

O número de casos de ataques é quatro vezes maior que o registrado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) em todo o Amazonas em 2017, de janeiro até agora. A instituição informou que, de janeiro a novembro, recebeu 63 notificações de casos de humanos atacados por morcegos em todos os municípios do Estado.

O “salto” nos índices se explica: Barcelos não havia notificado nenhum caso à FVS. O quadro revela outro motivo de preocupação, também do Ministério da Saúde: a questão cultural, que reflete na sub-notificação dos casos.

A secretária municipal de Saúde do Município, Patrícia Leite, explicou que, para os moradores daquela região, ser mordido por morcegos é comum e normal. Conforme ela, mesmo depois que houve relatos de que os ataques estavam aumentando, quando a equipe de saúde foi nas comunidades, enfrentou resistência para vacinar os animais. “Não queriam deixar vacinar gatos e cães porque tinham medo que eles iriam morrer ou não caçar mais”, disse.

De acordo com o Ministério da Saúde, toda agressão por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue) em humanos, se não ocorre de maneira acidental (como durante a manipulação indevida), deve ter uma causa ambiental associada, já que o ser humano não faz parte da cadeia alimentar desses animais. “Assim, deve-se sempre trabalhar junto à população no sentido de alertar que agressões por morcegos hematófagos não devem ser tratadas como algo comum ou corriqueiro”, alerta o MS, em nota.

Primeiro caso

Segundo o diretor-presidente da FVS-AM, Bernardino Albuquerque, é a primeira vez que ocorre no Amazonas um caso de raiva humana, suspeito de ter sido transmitido por morcego. O último registro da doença no Estado foi em 2002 e a contaminação se deu por mordida de cão.

Porém, conforme ele, em todos os municípios vinha sendo trabalhada a profilaxia da raiva humana causada por morcegos. “Isso (morte por raiva humana de pessoas mordidas por morcegos) tem acontecido em outros estados da Amazônia. Infelizmente houve esse evento aqui também e nós estamos trabalhando agora no sentido de controlar”, destacou Bernardino.

A situação preocupa também a Associação Amazonense de Municípios (AAM), que deve abordar o assunto em uma reunião, na próxima semana.

Força tarefa no AM

Desde o dia 1º deste mês, profissionais do Ministério da Saúde estão no Amazonas compondo uma força tarefa para investigação dos casos,  juntamente com a Susam. “A equipe permanecerá o tempo necessário para esclarecer as causas relacionadas às agressões por morcego e aos casos de raiva humana”, informou o Ministério da Saúde, em nota.

Medicação deve ser imediata

O uso de soro e vacina antirrábicos, indicado aos pacientes com risco de desenvolver raiva humana por mordedura de animais domésticos ou silvestres, é altamente eficaz e impende o desenvolvimento da infecção se administrado em tempo hábil, garantiu o infectologista Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical (FMT). “Todas as pessoas agredidas por animais que fazem parte da cadeia da raiva têm que ser vacinadas imediatamente ou de preferência nos primeiros dez dias. Na medida em que os dias passam, o fator de proteção vai diminuindo. Isso é um desafio para as pessoas que vivem em áreas remotas”.

Garoto está em coma induzido

Nesta segunda-feira (04), a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) informou que o adolescente Mateus dos Santos da Silva, 14, com quadro de encefalite viral, apresentou alteração, nas últimas 24 horas, em seu estado clínico, sendo considerado grave, porém estável.

De acordo com o boletim médico, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), o paciente teve episódios convulsivos e precisou ser colocado em coma induzido.

“Ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI), onde está sendo acompanhado por médicos pediatras e intensivistas.  Desde o último sábado, o paciente está sendo submetido ao protocolo de Milwaukee tratamento à base dos medicamentos Biopterina e Amantadina”, informou a Susam, em nota.

O adolescente é irmão de Lucas, 17, que faleceu no dia 16 de novembro, e de Miriã, 10, que foi a óbito no sábado, ambos tiveram diagnóstico confirmado da doença viral. A família é da comunidade de Tapira, no rio Unini, em Barcelos.

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