Mãe e filha são queimadas; patrões não deixavam a mulher usar o fogão da empresa e ela e improvisava com uma lata

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Uma jovem de 11 anos ficou com graves queimaduras espalhadas pelo corpo após ser vítima de um acidente doméstico em Santos, no litoral de São Paulo. A mãe dela fritava um hambúrguer quando uma lata, utilizada como uma espécie de fogão, explodiu e o fogo atingiu ambas. As duas permanecem internadas e, ao receberem alta, precisarão procurar um novo local para morar.
Vitória Ramos, de apenas 11 anos, morava com a mãe e os dois irmãos em um quartinho dentro de uma empresa de reciclagem. Cintia Ramos, mãe da menina, diz que trabalhava no local e, por isso, conseguia viver com os filhos nas dependências do emprego.
Os donos da empresa não permitiam que ela utilizasse fogão a gás, por isso, ela improvisava um fogão utilizando uma latinha com álcool e, em cima, uma grade. Desta forma, ela conseguia preparar comida para os filhos. Cintia estava fazendo hambúrguer para a filha Vitória, no sábado, dia 17 de fevereiro, quando o acidente aconteceu.
“Eu estava fritando hambúrguer para ela. Tinha acabado o álcool, apagou a chama. Fui colocar de novo e pegou fogo. Pegou na minha mão, no meu braço e no meu dedo. A Vitória estava do meu lado e pegou no cabelo dela e no corpo, na área do peito e nos braços. Corri com ela para o banheiro para apagar o fogo e a coloquei no chuveiro. Ela começou a falar que estava doendo. Tentamos acalmá-la”, conta Cintia.

(Foto: Outside Filmes)

As duas foram internada na unidade de queimados da Santa Casa de Santos. A menina segue tomando medicamentos e o quadro de saúde está evoluindo, porém, ainda sem previsão de alta. Cintia afirma ainda que poderia ter evitado o acidente, caso tivesse um lugar melhor para viver. “Eu estava com medo de acontecer isso, mas a gente não espera. Eu fiquei apavorada na hora”, disse.
A mãe também continua no hospital, preocupada com a saúde dela e da filha e sem saber onde irá viver quando receber alta médica. “Tudo o que eu tinha não tem mais nada. Depois do acidente, me tiraram o quartinho. Jogaram muita coisa fora. Geladeira, fogão, devolveram o botijão de gás. Alugaram um quartinho em outro lugar, mas não sei se terei como pagar. Eu dependo dos ‘bicos’”, diz.
Cintia também se preocupa em dar alimento e cuidados de saúde que Vitoria necessitará quando sair do hospital. “Preciso arrumar um emprego para poder pagar os remédios, protetor solar. Quando ela sair, ela terá que fazer acompanhamento. Ganho ‘Bolsa família’, mas não tenho lugar onde colocar minhas filhas. Para manter o quartinho, preciso pagar o aluguel”, finaliza.
Segundo apurado pelo G1, Vitória permanece internada na Santa Casa de Santos, em estado estável, mas sem previsão de alta hospitalar para os próximos dias.

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