Estudante esfaqueia o padrasto para defender a mãe de agressão

0
236

Uma estudante de 18 anos esfaqueou o padrasto para defender a mãe que estava sendo agredida por ele, na madrugada deste domingo (26), no Bairro das Laranjeiras, na Serra. A confusão começou porque o padrasto queria pegar R$ 30 da esposa. Durante a briga do casal, a enteada já havia entrado na frente do padrasto para evitar que ele batesse na mãe, mas acabou sendo arrastada pelos cabelos.
O acusado, um pedreiro de 38 anos, chegou em casa por volta das 4 horas da manhã, e exigiu o dinheiro que a esposa, uma faxineira de 36 anos, tinha. “Eu tinha R$ 30, que havia recebido por lavar roupas para motoristas, e estava guardando para fazer a feira. Ele chegou em casa bêbado e acompanhado de uma pessoa, afirmando que queria o dinheiro para pagar uma dívida”, contou a esposa.

Bernardo Coutinho

No meio da discussão pelo dinheiro, o marido deu uma cabeçada na testa da faxineira e ela correu para fora com medo de ser agredida novamente, já que esta não seria a primeira vez.
Na casa também moram os filhos de 9, 13 e 14 anos, além da estudante de 18 anos. Ao perceber que a mãe seria agredida de novo, a moça interferiu e acabou sendo arrastada pelos cabelos no meio da rua, para onde a mãe dela havia corrido com o intuito de escapar do marido.
Com ferimentos nos joelhos e braços, a estudante entrou em casa e pegou uma faca, partindo pra cima do padrasto. Foram cinco golpes no pedreiro.
Ela e a mãe pediram socorro na casa da vizinha. Mesmo ferido, o pedreiro pulou o muro da casa, já armado com a faca que a enteada deixou para trás.
Ele foi em direção à esposa, que chegou a ser atingida na mão esquerda ao tentar se defender dos golpes. “Foi quando um vizinho nos ajudou e o agarrou para que soltasse a faca. Ele largou e eu liguei para a polícia”, contou a faxineira, que teve cortes na mão esquerda e ferimentos de pancadas nas costas.
O padrasto foi levado para o Hospital Jayme dos Santos, no mesmo município, onde permanece internado.
A polícia conduziu a estudante e a mãe para o Plantão Especializado em Atendimento à Mulher. Segundo a delegada de plantão, a estudante não seria autuada pois alegou que foi uma medida necessária para conter o acusado, que possui estrutura física maior que as vítimas e que já possui um histórico de violência doméstica.

“NÃO ME ARREPENDO DO QUE FIZ”

A declaração em tom de voz baixo foi dada pela estudante de 18 anos, já na delegacia. Ela contou que esta não foi a primeira vez que viu a mãe ser agredida pelo padrasto.
“Eu cansei de ver minha mãe ser maltratada por ele e fui defendê-la”, desabafou a jovem, que deu detalhes de como foi agredida. “Ele me jogou no chão puxando meu cabelo e chutou meu rosto. Eu me levantei e fui pegar a faca”, disse.
O casal convive há 12 anos e possuem um filho de 9 anos, o caçula dos quatro filhos da faxineira. Todos, porém, já assistiram a mãe ser alvo da violência do pedreiro.
Não é preciso apenas guardar na memória o terror das agressões que sofreu calada por esse tempo. A faxineira tem no corpo as marcas da violência constante: cicatrizes em vários locais, dois dentes implantados e um pino nos ossos do ombro esquerdo.
“Eu só quero me livrar dele, quero ter liberdade. Meu medo é ele vir atrás de mim para matar. No começo, houve amor. Sempre foi um trabalhador. Mas para ser bom um casamento, precisa ser bom por inteiro. Hoje, vejo que é um covarde”, desabafou a mulher.

Fonte: Gazeta Online

Comentários

comentários